terça-feira, janeiro 08, 2019

POEMA SEM DO(R)



ESTÁ ACONTECEN...
TODOS JUNTOS LUTAN...
DIREITOS PERDEN...
TEMPO ACELERAN...

ORIGINÁRIOS SUMIN...
AGRONEGÓCIO MATAN...
O PLANO HORREN...
GOVERNO EXECUTAN...

MULHERES MORREN...
FEMINICÍDIO AUMENTAN...
NEGRITUDE SOFREN...
O RACISMO REINAN...

AS PALAVRAS ENGOLIN...
O CHORO SUFOCAN...
VAMOS SOBREVIVEN...
E ASSIM RESPIRAN...

NÃO ANDE CORREN...
NÃO FALE GRITAN...
É PARA O PASSA...
QUE ESTÃO NOS LEVAN...

E SÓ RESISTIN...
E NÃO FRAQUEJAN...
QUE NA LUTA INSISTIN...
SEGUIMOS ENSINAN...

sábado, novembro 17, 2018

SARRO



(...)

E, furtivamente, os dois se encontravam. E trocavam carícias. Pontas dos dedos se esbarrando, intencionalmente, na troca de papeis, documentos... sobre as roupas. As partes queimando e latejando.Olhos pedintes.
Como adolescentes, descobriam-se. Escondidos revelavam-se. E, mesmo famintos, poupavam o desejo, apreciando o sabor instingante do iminente flagrante.
Os beijos molhados e mordiscados nela, escorriam pelo pescoço, até os seios. Os cabelos tensionados desenhavam o contorno dos ombros, nuca e veias. 
O membro dele pressionava-se, proeminente, sob a sua orquídea coberta, suada, num movimento ritmado, lento.
A sensação juvenil, na maturidade reluzente, respeita o tempo dos sutis prazeres, em que se pode tudo, mas a escolha do depois é feita conscientemente, aguardado com a lembrança do recente agora, até novo encontro.
A taça de vinho nunca findava, nem tampouco era limpa. Ficava em seu fundo a borra, marcadamente denunciativa. O sarro da uva que perfumava o ambiente.
Aquilo sim era eternidade.

Márcia Maracajá

sexta-feira, dezembro 08, 2017

A MULHER EM "MIL ALMAS, MIL OBRAS"



Meu poema A MULHER agora bate asas pelo Chile na Antologia Poética "MIL ALMAS, MIL OBRAS", iniciativa do poeta Alfred Asís, morador da Isla Negra.
O projeto que inicialmente pareceu ingênuo, congrega energia e soma vontades simples para grandes intentos, tudo com a leveza e a força da poesia.
A antologia que reúne 1000 poemas de 1000 poetas do mundo, teve toda a participação voluntária. Os poetas doaram sua poesia para a concretização do projeto que distribuirá em bibliotecas e escolas do Chile a publicação. 
O primeiro livro impresso será doado para a Biblioteca Alberti, da Casa Museu de Pablo Neruda, na Isla Negra.
Eu e Leônia Léa Malta somos as únicas mulheres pernambucanas hasteando o feminismo com a poesia.
Também compõem a obra a poesia dos poetas pernambucanos Frederico Spencer, Juareiz Correya e Natanael Lima.
Juareiz nos brinda com A AMÉRICA, que não poderia deixar de fazer parte desta antologia.
Segue o link da obra em PDF. 

http://alfredasis.cl/ASIS_MILPOETAS.pdf