Terça-feira, Janeiro 10, 2012
ALENTO
Estranho estar aqui,
Onde pareço cá estar há muito tempo
Esse chão, esse quintal, esse frio
Que me refresca a carne
O vento, o vento
De longe a minha mãe está tão perto
E sinto seu sentimento aqui dentro
Uma saudade, vontade de roubá-la
Preservando-a para mim
Tempo, bento
As luzes da cidade lá embaixo
Eu daqui de cima
Em pensamento
Sob as árvores acolhedoras
Maternas
Lembrando minha mãe
Amor, alento.
Terça-feira, Dezembro 27, 2011
MINHA RECIFE
PÁTIO DE SÃO PEDRO
Foto de Leão Barros e Sandra Augusta
Olho para minha Recife já com saudosismo. Coração aflito, de quem vai deixá-la, como um filho que deixa a mãe para trás, seguindo seu destino, sabendo ser longa sua partida.
Ando por minha Recife e tento reter os cheiros, o calor das pessoas que cruzam por mim na rua da Praia, nas ruas estreitas que dão no Pátio de São Pedro, no Cais de Santa Rita, na Dantas Barreto, e alargam meu coração estufado de lembranças.
O Mercado de São José exala aromas de ervas. Apresso o passo para não perder a hora no calor da hora das duas da tarde. E já no fim deste dia, ao cair da noite, costuro o trânsito enlouquecido que nada tem a ver com aquelas imagens, cheiros, sons, que me trazem as sensações do dia ensolarado.
Deixo minha Recife na certeza de que o melhor dela vai comigo, e onde estiver encontrarei lugares que correspondam este sentimento que me despertam os prédios construídos em pedras antigas, carregados de histórias que minha alma pode ler.
Levo minha Recife, os rios que lhe banham, o açude, suas árvores e praças majestosas, o mar da praia de Boa Viagem, o Paraíso, os mangues, as pontes, certa de que o que vou levar ninguém poderá mexer, derrubar, destruir, apagar.
Minha Recife, preservada, e seus arredores, todos protegidos, dentro de mim.
***
Nem abandono, nem tristeza. Batendo asas.
Feliz 2012 a todos!!!
*
Texto de 17 de novembro de 2011.
Quinta-feira, Dezembro 08, 2011
SALVE MINHA MÃE
Orixá das águas doces
Que correm para o mar
Maternal
Livre
És tu, minha mãe
Iemanjá
Chamam-te Janaína
Inaê
Rainha, princesa,
Senhora do mar
Mãe d'água,
Sereia,
Iara
Também podem te chamar
Sua força vem das águas
Represadas ou correntes
Gerando, parindo
E limpando a quem te buscar, toda gente
Senhora minha mãe,
Salve a tua beleza, tua força, tua nação
Salve teus filhos, minha família,
Daqui te oferendo flores
Com amor, sua filha,
A ti toda minha gratidão.
***
Conta a lenda deste orixá que Iemanjá é de água doce como Oxum. A propósito, Iemanjá é mãe de Oxum. Iemanjá ganhou, antes da morte de sua mãe, uma garrafa, e a mãe orientou-lhe que em situação de perigo sua filha a abrisse. Com a quebra acidental desta garrafa, a água ali de dentro fez nascer um rio. Assim, este correu para o mar, onde sua mãe se encontrava a esperá-la.
**
Como renascida, hoje, senão dia de festa, dia de Iemanjá, presente recebi esta manhã. Gargalhadas e lágrimas lavavam meu espírito, livre, LIVRE! E o sol, me saudava, convidativo, lá fora mar azul-piscina. Mais tarde hei de me banhar.
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