sábado, novembro 19, 2011

CARTAS MARIANAS, DEZ ANOS DEPOIS


Ontem, no aniversário de 4 anos do Nós Pós, tive o privilégio de conhecer a escritora Maria Pereira de Albuquerque, que lançava o livro “CARTAS MARIANAS, dez anos depois”, em parceria com Eugênia Maria Menezes, que não pode estar presente no lançamento.

Assim que cheguei em casa e Júlia dormiu me entreguei à leitura das cartas, e mergulhei no diálogo das Marias. A noite, intrigantemente, foi silenciosa – porque na nova morada todos os barulhos são possíveis. Alarme de carro disparado. Alarme de segurança desprogramado. Zumbido desconhecido interminável. Som de carro alto. Mas esta noite o único som que ouvi foi das vozes de Eugênia Maria e Maria Pereira de Albuquerque.

Fiquei curiosa para ler as primeiras CARTAS MARIANAS antes das mudanças ocorridas após o boom do mercado imobiliário e das redes de supermercados instaladas na cidade. Enquanto lia, era tomada pela contagiante vontade de também eu compartilhar mais detalhadamente a minha vida, em correspondência materializada, como com constância em minha adolescência, com amigos amados. Entendo bem da emoção ao ouvir a voz do carteiro anunciando entrega para mim. Ainda guardo um saco de cartas daquela época.

Mas estas cartas, Marianas, além de envolver pelas histórias que trazem, me provocaram boas gargalhadas com um bocado de aspectos que me fizeram sentir ser também uma das Marias, seja pelas queixas das mudanças na cidade, seja pela falta de atenção do outro ao que está ao lado, seja pelo barulho insuportável da cidade – ou do refúgio, ora caos – seja pela extinção do que nos remete à vida.

E durante passagem da leitura eu me identificava, rindo dos pedaços de papeis mendigados para anotar em qualquer lugar. E como senti saudades de andar de ônibus, como Maria Pereira, que nos descreve itinerários que nos convidam a revisitar minha cidade! Andar de ônibus. Lia e escrevia muito nessas viagens de um ponto a outro. Riquezas do dia a dia. Andar de ônibus. Isso sim é liberdade! Falava sobre isso antes mesmo de ler o livro, ali na Casa Mecane, conversando com amiga. Ha Ha Ha! E por falar de liberdade, lembro-me da crítica bem humorada tecida por Maria Eugênia referente às mulheres cheias de asas.

Próximo ao término do livro é anunciada a “partida”. E meus olhos enchem d’água. “Mas já? A prosa tava tão boa!”. E fecho o livro arrasada. É linda esta troca. Uma amizade abençoada. Difícil nos dias de hoje, porém não impossível.

Amanhece e o que ouço são pássaros a anunciarem novo dia. Aos poucos os apitos das garagens começam a trazer a normalidade à urbanidade, e deixo as “CARTAS MARIANAS dez anos depois” sobre a mesa, para revisitá-las, logo mais, quem sabe?!

As Marias ficam na minha lembrança, e suas histórias. Vou dormir pensando nisso.

***

CARTAS MARIANAS, DEZ ANOS DEPOIS
Autoras: Eugênia Maria Menezes e Maria Pereira de Albuquerque
Editora: Bagaço
           

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