quarta-feira, dezembro 08, 2010

MINHA SORTE GRANDE

Ilustração de minha filha, Júlia Beatriz, 4 anos. Esboço das primeiras letras no canto superior esquerdo: "Mãe mo = Mãe, eu te amo. E a imagem de uma dinossaura... Acho que sou eu!!! kkkkk


***

Tenho uma filha muito especial. Preocupa-me tamanho senso de cuidado comigo, para que eu durma cedo. Para que eu pare de estudar, de ler, que vá dormir no mesmo tempo que ela. Arruma a cama, deixa tudo pronto, e me espera para que eu cumpra a promessa do “daqui a pouco”, mas ela dorme antes, e eu, nessa hora, sempre atraso.

Às vezes, ela acorda no meio da noite, alisa meus cabelos, diz baixinho “mamãe, eu te amo”, e volta a dormir. Outras vezes pede pra eu dividir a caminha com ela “Vem dormir aqui abraçadinha comigo, mamãe”.

Nos dias de trabalho intenso, estudos, ela fica impaciente, reclama porque não desgrudo do computador, não durmo com ela. Foi assim desde a gestação, depois ela no carrinho. Agora, maior, já me cobra atenção. Tento compensá-la no fim dessa rotina, quando os fins de semana não estão reservados aos trabalhos e aos livros. Aí curtimos a cozinha fazendo juntas nosso almoço e depois assistimos filmes com pipoca, damos nossos passeios.

Mas não sinto culpa nisso tudo. Ela sabe, corro contra o tempo, e tenho um compromisso inadiável com o destino. Ela faz parte de meus acertos, projetos, sonhos. Percebo seu interesse pelas letras, pelos números, pela arte. Sua criticidade é reflexiva, analisa os fatos. As propagandas não a seduzem. Mas ela tem infância. Eu tenho que curti-la também.

Dia desses, conversando com meu cunhado, comentei: tirar na loteria é ter filho saudável, feliz. A gente engravida, não tem a mínima noção do que o destino nos reserva naquele ser guardadinho dentro da gente, e só relaxamos quando enxergamos todos os dedinhos nas mãos e nos pés deles, e mais tarde o choro, o desenvolvimento...não existe alívio maior que este.

Não dá pra reclamar da vida quando se tem filhos amorosos, sadios, quando ouvimos o eu te amo espontâneo. Quando recebemos presentes a todo instante, seja em forma de desenho, seja num carinho. Também existem os momentos de conflito e me vêm os “Me desculpa, mamãe”. Eu respondo: "Tá tudo bem, meu bem". Mesmo assim ela custa a acreditar que não me magoou. Aí eu a abraço. Conversamos. Ela ri.

Tenho um compromisso inadiável nesta vida. Cumpro sem qualquer pesar. Sou mãe dela. Hoje e todos os dias são dela, de mais ninguém. Mãe é assim mesmo.

Boa noite.

Um comentário:

  1. E tem algo melhor do que a criação das nossas criações?

    ResponderExcluir

Contribuições