segunda-feira, outubro 18, 2010

SOPA DE LETRINHAS


Tradição alimentada de nossa infância aqui em casa é a sopa no jantar. De feijão, carne ou canja, toda ela tem de vir com as letrinhas mergulhadas pelas mãos de minha mãe, que antes de fervê-las as pronuncia em leitura pausada, entonada com vírgulas, interrogações e exclamações, e nos faz interiorizá-las em nossas atividades diárias, desprezando os programas de televisão e o consumo imediato das coisas que as letras nos conduz compreender serem passageiras. Assim fui iniciada na magia da leitura, e na literatura mergulhei. E depois minha sobrinha e agora minha filha.

Abro meu e-mail e leio surpresa a mensagem recebida informando que fui selecionada no 5º lugar entre os Contos da Premiação do Instituto Maximiano Campos de Literatura, sexta edição. Minha filha me presenteia com suas letras iniciais e em seu desenho retrata uma mulher descabelada, sorridente e elétrica, sua mãe, tradução da alegria pelo e-mail recebido.

Agarrada ao seu livro da hora, perpetuando o costume familiar e inspirada no que “está ficando bom”, como ela mesma diz, aprendiz de feiticeiras, de quem lê o mundo sem os olhos, com a alma, minha pequena me abraça festeiramente e pede uma sopa de letrinhas para comemorarmos o presente.

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