segunda-feira, outubro 11, 2010


A palavra fé ecoou durante o dia de hoje. Pela manhã, na espera da consulta e avaliação médica. Na película assistida pela tela do cinema. Na retrospectiva da trajetória política de nosso país. Na série que costumo acompanhar pela TV.
Qual a origem de palavra tão grandiosa? A palavra encontra no Latim e no Grego outras duas palavras: fidelidade e crença. A fé busca acreditar numa verdade, sendo fiel a esta verdade. E cada um de nós carrega sua fé, mutilada e sincretizada tantas vezes, em constante movimento, construção, acrescida de novas verdades, destituída de mitos, de ilusões. A fé que não é cega, mas é companheira, e nós a ela nos abraçamos nas horas de descrença nos homens, buscando fora de nós uma inspiração, um ânimo que nos abasteça e nos impulsione a empregar nossa fé no que é do homem e no que ele é. Paradoxo isso, não?!
A fé é o affair das pessoas, casos amorosos com suas verdades absolutas ou verdades em construção. É o negócio que gera lucros ou perdas, dependendo de como é administrado. Tem a ver com razão e amor, concomitantemente.
Fé é sinônimo de força, mentalização de esperanças. Certeza insana de concretude. Inabalável certeza, mesmo quando postos à prova. É o que está dentro e não deixamos saltar aos olhos para os outros, porque humanos a preservamos temerosos que se esvaia, julgando ser possível, num deslize, nos usurparem.
É o elemento inato que trazemos, de outra esfera, outro plano, dimensão, e não sabendo com ela lidar nos tornamos manipuláveis, pelos que dominam verdades, fiéis incontestáveis, que conduzem milhares de pessoas ao rumo que traçaram meticulosamente, propositivos planejados para um povo aquiescente.
A fé na vida, no homem, no que virá, parafraseando as letras embaladas numa melodia da linda canção, quando “é preciso ter manha, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre”. A fé nas lendas, nas imagens e na história que carregam as nossas senhoras, as santas Saras, Aparecidas aqui e acolá, mulheres, sempre, para abrandar os corações da humanidade embrutecida que precisa ser acalentada pela Mater, pela força que se traduz numa figura feminina, capaz de gerar, de alentar, de alimentar e de proteger sua cria, mesmo incauta para as maldades do mundo, mas reativa ao que o mundo a seu filho lhe oferece.
A força natural que é cíclica, fecunda. Que quando parece apagar-se reacende a chama, e ilumina a alma. O que nos resgata de precipícios, de calabouços, de túmulos, de altares. A fé que nem buscamos, mas nos encontra nos momentos inesperados. A sacudidela. O aceno. O sopro.
Não há quem não a tenha. E mesmo os que a tem, desacreditam-na.

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Em exercício fiel ao que acredito.

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