terça-feira, abril 27, 2010

DO FOGO À BORBOLETA

Marcos Asas*
















Depois dos desencontros
O amor deita o fogo
E vira brasa:
Calor que não crepita


Com o amor em brasa
O fogo arde sem fumaça
Vai embora o que irritava os olhos
- E a vista desembaça


Sem roupas
O amor se veste de outra ternura
Suspiro suspenso, sorriso lasso
Flutuar em miniatura


Sem suor e sangue
O amor não inebria
Sem carne, paira etéreo:
Fogo-fátuo que dança e rodopia


Sem corpo
O amor se eleva
Fecha os olhos
E levita


Sem forma


O amor mais se suaviza
O que era tinta óleo agora é aquarela
Barco a motor agora é barco a vela
E margarida a flor que é mais bonita


Desencarnado
O amor se alquimiza
Borboleta que sai da crisálida
Alça vôo
E se eterniza.

* Marcos Asas é Poeta Pernambucano, médico e atua em saúde da família.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contribuições